sábado, 14 de fevereiro de 2009

hoje é dia do medo
nada demais hoje em dia
mas antigamente era o nosso código pra não ser engolida pelo portal que havia embaixo do sofá e embaixo de qualquer coisa que não fosse rente ao chão
acho que tudo começou quando alguém nos contou que uma casinha escura
quase abandonada
no caminho entre nossa casa e a escola
era na verdade a casa de um lobisomem
fazia frio
tarde de outono com um ventinho cortante
ficamos paralisadas na esquina até que uma mulher "com cara de boa gente" passasse

- podemos atravessar a rua com você?
- claro.

dali em diante sempre houve o risco de ser sugada pra algum lugar sinistro
acho que foi assim que a gente começou a encher de tranqueiras embaixo da cama
armadilhas pra monstros
se eles passassem por ali acabariam fazendo barulho
a mãe não acreditava
nem nos monstros
nem na nossa capacidade de fazer tanta bagunça em tão pouco tempo
ia lá e tirava tudo
era terrível quando a gente só descobria que as armadilhas não estavam mais no lugar na hora de dormir
vigília
e então era usar a imaginação e contar sobre as recém inventadas armadilhas invisíveis

ontem na fila do mercado uma menina de uns quinze anos disse aos amigos que queria ser um cachorro
até tentou
foi a mãe dela que não deixou
ela queria ser um dálmata
tinha um tipo de verdade na afirmação da menina que me fez pensar
"ufa"

e foi mesmo o freddy krueger que riscou o disco predileto da minha mãe

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

maninha, eu to com medo.

medo de que?

não sei.

então reza.

já rezei, mas não passa.

reza de novo, e tenta dormir.

não consigo. acende a luz?

não precisa, eu to aqui. quer que eu segure a sua mão?

quero.

agora dorme.

tá.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

fico triste quando chateio alguém
mas é necessário saber que chateei
processo interno
agora vou ficar aqui avaliando quem tem razão
mas isso me ajuda a crescer
eu espero

hoje fiz uma operação delicadíssima
que enrolei anos e anos
costurei a perna da pati
aproveitei pra costurar a camiseta também
que tinha um furo no pescoço
enquanto costurava fui alinhavando umas coisas aqui dentro
umas partes desse franksteinzinho que eu sou
cada dia acho que sei menos do que vem pela frente
especialmente porque olhar para trás me mostra o caminho até aqui
e me surpreende

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ah!
quero meu blog de volta!

ou sei lá
as palavras
é isso
quero parar de engolir palavras
arquivar textos
engavetar projetos


















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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009